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Resenha#2: A Arma Escarlate | Renata Ventura

Em 29.09.2014   Arquivado em livros, resenha

Autora: Renata Ventura (Skoob)
Páginas: 488
Editora: Novo Século
Título: A Arma Escarlate (AAE)
Literatura: Nacional.

Sinopse: O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, um menino de 13 anos descobre que é bruxo.Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que está ameaçando sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar descobrindo o quanto de bandido há dentro dele mesmo.



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Uma vez em uma entrevista à J. K. Rowling – autora de Harry Potter – um fã perguntou se J. K. escreveria sobre uma escola de bruxaria nos EUA ou em qualquer outro país. Ela respondeu que não “mas fique à vontade para escrever o seu.” Renata Ventura se sentiu autorizada pela própria Jô e decidiu escrever “A Arma Escarlate”! 


Quando ouvi falar desse livro pela primeira vez, eu fiquei curiosa. Peguei a sinopse do livro – no momento estava com um amigo na Saraiva – e quando eu li ‘favela Santa Marta’ eu não contive o riso. Meu pensamento no momento foi “Oi?? Bruxo no Santa Marta? HAHAHAAHAHA”. Depois, minha amiga me contou algumas partes e eu, novamente tendo um “pré-conceito”, voltei a rir.

Isso foi no começo do ano passado. Mas, recentemente, saiu a continuação do livro, nomeado como “A Comissão Chapeleira”, e eu fiquei curiosa. “Como seria uma escola de magia do Brasil?” Não teria nada a ver com o castelo de Hogwarts, é claro. Então peguei o “Harry Potter Brasileiro” com essa amiga e comecei a ler. A princípio me irritei por não ter os feitiços em latim, das cartas serem entregues por pombos e de não haver casas dentro da Korkovado, mas continuei a leitura.  

Estamos em 1997 e em meio à um tiroteio na favela Santa Marta, Hugo descobre que é bruxo! Agora ele tem um desejo: Aprender a controlar sua magia para enfrentar o bandido que lhe jurou de morte e está ameaçando a sua família.  Esta é a premissa do livro. Hugo, personagem principal cujo verdadeiro nome é Idá, é um garoto de 13 anos morador do Santa Marta. Ele é um garoto bem esquentado, que não leva desaforo pra casa. Desconfiado de tudo, ele está sempre agindo sem pensar e tirando conclusões precipitadas sobre tudo e todos. Com o tempo vemos uma mudança, ainda que lenta, em Hugo.


A escola Nossa Senhora do Korkovado localiza-se, como o próprio nome já diz, dentro do morro do Corcovado (o morro do Cristo Redentor). E então, o que tem nessa escola? Falcatruas, falta de professores especializados em alguma matéria…Bem a cara das escolas públicas no Brasil.

Ao chegar, Hugo já admira um grupo de alunos chamados “Pixies” que costumam fazer algumas travessuras e arrancar olhares e sorrisos admirados dos outros alunos, além deles se nomearem “a resistência contra os padrões europeus no colégio, lutando pela nossa cultura”. Como o ex morador do Santa Marta sempre desejou, inconscientemente, ser admirado e ter fama/poder, ele logo quis entrar para esse grupinho. E não demorou muito para isso acontecer, mesmo Hugo escondendo quem ele realmente é. Os pixies: Vinícius Y-Ipiranga (Viny), Caimana Ipanema, Ítalo Twice (Capí) e Virgílio OuroPreto (Índio), são os que ajudam Hugo a questionar o que realmente é certo, além de se tornam grandes amigos do menino, que pela primeira vez tem pessoas em quem confiar, mesmo pisando na bola e quase perdendo a amizade deles. 

No decorrer da história acontecem muitas coisas e a autora conseguiu mostrar,  mesmo se tratando de uma escola de magia e bruxaria, que a importância da amizade é fundamental para mudar as pessoas, e que ‘mentira tem perna  curta’ e quanto mais você se afunda nela, mas difícil fica para sair. Uma onda de ‘loucura’ atinge o colégio, transformando alunos que antes eram reprimidos e invisíveis, em completos arruaceiros. É claro que Hugo está ligado à isso, mas como? (Isso você só vai descobrir lendo o livro) Procurando uma solução rápida e que não causasse mais espanto e mal estar aos alunos da Korkovado, Hugo trava uma batalha entre contar a verdade e admitir que foi ele que causou tudo isso, mesmo que isso o levasse a perder a amizade dos pixies, e ficar quieto e deixar tudo desabar. 


Renata mescla o mundo da magia com o mundo dos mequetrefes (pessoas sem magia), inserindo gírias, linguagens usadas por pessoas dos diversos cantos do país, o sub-saara –local de comércio dos bruxos muito brasileiro -, a adaptação dos feitiços para o tupi e os ‘animais fantásticos’ como a mula sem cabeça, o curupira, dentre outros.  Ela faz algumas referências (as vezes até engraçadas) ao modo de vida dos bruxos europeus de J.K, mostrando o quão diferente são os dois mundos. A valorização da cultura, realmente, é um dos melhores pontos do livro.

Recomendo a leitura, afinal, é a prova de que livros nacionais podem ser sim tão bons quanto os internacionais.

‘Ele é o Hugo, e o Hugo é indomável’.


Espero que tenham gostado da primeira resenha do blog! Comentem e deem suas opiniões sobre esse livro!!


Beijos!