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Entre Abelhas – Fabio Porchat

A presença de Fábio Porchat, Luis Lobianco, Marcos Veras e do diretor Ian SBF – todos do canal humorístico “Porta dos Fundos” – pode enganar o espectador desavisado e levar a pensar que “Entre Abelhas” é uma comédia, mas não é..
Entre Abelhas conta a história de Bruno (Porchat), um rapaz melancólico que acaba de se separar de sua mulher (Giovanna Lancellotti), e volta para a casa da mãe (Irene Ravache). Além das dificuldades de readaptação, ele começa a ter outros problemas. Sem qualquer explicação, tropeça “no ar”, vê objetos inanimados se mexendo sozinhos. Logo, ele percebe que está deixando de ver as pessoas.

Enquanto a mãe (Irene Ravache) acredita na cura, e o faz procurar médicos e soluções durante o desenrolar do filme, o próprio Bruno parece ter certeza de que está num caminho sem volta, e passa os dias anotando na parede os números de rostos que ainda enxerga, cuja conta só aumenta. Sua melancolia é ainda maior porque, à sua volta, também são poucas as pessoas que o enxergam: sua ex-mulher (Giovanna Lancellotti) só quer que assine os papéis do divórcio; seu melhor amigo (Veras) só quer contar os próprios problemas. Ele está só – e só agora percebe que sempre estivera.
Um filme muito interessante, com atuações excelentes. As piadas são pensadas com mais atenção e nada está lá por acaso. A forma como o filme explora um mundo conectado com pessoas cada vez mais solitárias e “cegas” foi muito bem executada. São poucas as pessoas que lhe cumprimentam na rua, ou que dão “bom dia” para o motorista de ônibus, ou que se desculpam ao esbarrar em alguém na rua. Estão todos fechados em seus próprios problemas, que não percebem mais o mundo, nem as pessoas ao redor. É um filme que nos faz refletir e repensar os nossos atos e mudar, antes que seja tarde demais.